Olho seco antes da cirurgia de catarata: por que tratar primeiro?

Tenho olho seco e vou operar catarata: preciso tratar antes da cirurgia?

Quando uma pessoa recebe indicação para cirurgia de catarata, é natural que as primeiras dúvidas estejam relacionadas à lente intraocular.

“Qual lente vou colocar?”

“Vou precisar de óculos depois?”

“Quanto tempo demora para enxergar?”

Mas existe uma estrutura localizada antes mesmo do cristalino que também merece atenção no planejamento da cirurgia: a superfície ocular.

A córnea e o filme lacrimal estão entre as primeiras estruturas ópticas atravessadas pela luz.

Quando a lágrima não permanece estável sobre a córnea, a qualidade da visão pode oscilar. Além disso, algumas medições utilizadas para planejar a cirurgia de catarata dependem justamente das características da superfície corneana.

Por isso, identificar e controlar a doença do olho seco antes da cirurgia de catarata pode ser importante tanto para o conforto do paciente quanto para a qualidade das medidas realizadas no período pré-operatório.

Estudos recentes têm chamado atenção para a presença de alterações da superfície ocular em pacientes que estão se preparando para cirurgia de catarata, inclusive em pessoas que não possuíam diagnóstico prévio de olho seco.

O que é olho seco?

Apesar do nome, olho seco não significa simplesmente “falta de lágrima”.

A doença do olho seco é multifatorial.

Uma pessoa pode produzir pouca lágrima.

Outra pode produzir uma quantidade aparentemente suficiente, mas a lágrima pode evaporar rapidamente ou não possuir composição adequada para manter a superfície ocular estável.

Também podem existir alterações das glândulas de Meibômio, inflamação, blefarite ou uma combinação desses fatores.

Os sintomas podem incluir:

• Ardência;
• Queimação;
• Sensação de areia ou cisco;
• Irritação;
• Coceira;
• Vermelhidão;
• Sensibilidade à luz;
• Lacrimejamento;
• Visão que fica nítida e depois embaça.

Esse último sintoma merece atenção especial antes da cirurgia de catarata.

Como posso ter olho seco se meus olhos vivem lacrimejando?

Pode parecer contraditório, mas é possível.

Quando a superfície ocular está irritada, o organismo pode responder produzindo lágrimas reflexas.

Essas lágrimas podem até escorrer pelo rosto, mas isso não significa necessariamente que exista um filme lacrimal estável sobre a córnea.

Por isso, lacrimejamento não exclui a possibilidade de olho seco.

Por que a lágrima é importante para a visão?

A lágrima não serve apenas para lubrificar os olhos.

O filme lacrimal forma uma camada óptica sobre a superfície da córnea.

Cada vez que piscamos, essa camada é redistribuída.

Quando o filme lacrimal permanece estável, a superfície óptica tende a ficar mais regular.

Quando ele se rompe rapidamente, a qualidade da visão pode oscilar entre uma piscada e outra.

Alguns pacientes descrevem exatamente isso:

“Eu pisco e fica melhor. Depois embaça novamente.”

Esse padrão pode estar relacionado à instabilidade da superfície ocular.

O que olho seco tem a ver com cirurgia de catarata?

Muito.

Antes da cirurgia de catarata, são realizadas diferentes medições para calcular a potência da lente intraocular que substituirá o cristalino opacificado.

Entre essas informações estão medidas relacionadas à córnea.

Quando a superfície ocular está irregular ou muito instável, algumas dessas medidas podem apresentar maior variabilidade.

Por isso, quando existe doença significativa da superfície ocular, o oftalmologista pode recomendar tratamento e, posteriormente, repetir determinados exames antes de definir o planejamento cirúrgico definitivo.

Isso não significa que todo paciente com olho seco precise adiar a cirurgia.

A decisão depende da intensidade do quadro e dos achados encontrados no exame.

Olho seco pode alterar a biometria da catarata?

Pode.

A biometria é uma etapa importante do planejamento da cirurgia de catarata porque fornece medidas utilizadas no cálculo da lente intraocular.

A curvatura da córnea participa desses cálculos.

Quando o filme lacrimal está instável, determinadas medidas relacionadas à superfície corneana podem variar.

Em casos relevantes, o médico pode optar por:

• Identificar o tipo de alteração da superfície ocular;
• Tratar o olho seco;
• Controlar inflamações associadas;
• Tratar blefarite ou alterações das glândulas de Meibômio;
• Aguardar estabilização;
• Repetir determinadas medições antes da escolha definitiva da lente intraocular.

Olho seco impede cirurgia de catarata?

Não necessariamente.

Olho seco é frequente justamente na população que também desenvolve catarata.

O objetivo não é simplesmente classificar o paciente como alguém que “pode” ou “não pode” operar.

É necessário verificar se a superfície ocular está em condições adequadas para o planejamento e para o período pós-operatório.

Uma pessoa com olho seco leve e superfície estável apresenta uma situação diferente de alguém com:

• Inflamação importante;
• Ceratite;
• Blefarite intensa;
• Disfunção significativa das glândulas de Meibômio;
• Grande instabilidade do filme lacrimal.

Por isso, a conduta precisa ser individualizada.

Posso ter olho seco sem sentir nada?

Sim.

Sinais encontrados no exame e intensidade dos sintomas nem sempre caminham juntos.

Uma pessoa pode apresentar alterações da superfície ocular e, ainda assim, relatar poucos sintomas.

Estudos realizados em pacientes que estavam se preparando para cirurgia de catarata demonstraram justamente a presença de alterações da superfície ocular em pessoas sem diagnóstico prévio de olho seco.

Por isso, a avaliação pré-operatória não deve depender apenas da pergunta:

“Seu olho está seco?”

Como o oftalmologista avalia a superfície ocular?

Dependendo do caso, podem ser avaliados:

• Qualidade do filme lacrimal;
• Tempo de ruptura da lágrima;
• Córnea;
• Conjuntiva;
• Margens das pálpebras;
• Glândulas de Meibômio;
• Presença de blefarite;
• Produção lacrimal;
• Coloração da superfície ocular;
• Sintomas relatados pelo paciente.

Nem todos os pacientes precisam realizar todos os testes.

A investigação é direcionada pelos achados clínicos.

O que é tempo de ruptura do filme lacrimal?

O tempo de ruptura do filme lacrimal avalia quanto tempo a lágrima consegue permanecer relativamente estável sobre a superfície ocular depois de uma piscada.

Quando o filme se rompe rapidamente, a córnea pode ficar exposta de maneira irregular.

Esse achado pode contribuir para o diagnóstico de instabilidade lacrimal e olho seco evaporativo.

O que são as glândulas de Meibômio?

As glândulas de Meibômio ficam localizadas nas pálpebras.

Elas produzem componentes lipídicos da lágrima.

Essa camada ajuda a diminuir a evaporação do filme lacrimal.

Quando essas glândulas não funcionam adequadamente, a lágrima pode evaporar mais rapidamente.

Essa condição é conhecida como disfunção das glândulas de Meibômio e está frequentemente relacionada ao olho seco evaporativo.

Blefarite também importa antes da cirurgia?

Sim.

Blefarite é uma inflamação das margens das pálpebras.

Ela pode coexistir com alterações das glândulas de Meibômio e doença do olho seco.

Alguns sintomas incluem:

• Ardência;
• Coceira;
• Crostas nos cílios;
• Sensação de areia;
• Vermelhidão das margens palpebrais;
• Irritação ocular.

Quando existe blefarite significativa, o oftalmologista pode recomendar tratamento antes da cirurgia de catarata.

Cirurgia de catarata pode piorar o olho seco?

Alguns pacientes podem apresentar aumento temporário dos sintomas relacionados à superfície ocular depois da cirurgia.

Existem diferentes fatores envolvidos no período pós-operatório, como:

• A própria incisão cirúrgica;
• Alterações temporárias da sensibilidade da córnea;
• Inflamação;
• Uso de medicamentos tópicos;
• Exposição da superfície ocular durante o procedimento.

Isso não significa que a cirurgia provoque necessariamente uma doença crônica.

A evolução varia conforme a condição da superfície ocular antes do procedimento e as características individuais de cada paciente.

Quanto tempo o olho seco pode durar depois da cirurgia?

A duração varia.

Algumas alterações podem ser transitórias e aparecer principalmente durante as primeiras semanas.

Em determinados pacientes, sintomas podem persistir por um período maior.

A evolução depende de fatores como:

• Condição da superfície ocular antes da cirurgia;
• Presença de blefarite;
• Disfunção das glândulas de Meibômio;
• Idade;
• Diabetes;
• Medicamentos utilizados;
• Características individuais;
• Tratamento realizado.

O tema está sendo estudado atualmente?

Sim.

A relação entre cirurgia de catarata e superfície ocular continua sendo investigada.

Estudos publicados em 2026 avaliaram tanto a presença de olho seco antes da cirurgia quanto estratégias utilizadas no período perioperatório.

Uma revisão sistemática e meta-análise em rede publicada em 2026 reuniu 47 ensaios clínicos, 102 braços de tratamento e 4.920 olhos para comparar diferentes estratégias tópicas utilizadas no manejo de olho seco depois da cirurgia de catarata.

Esses dados demonstram que a superfície ocular é uma questão relevante no planejamento e acompanhamento desses pacientes.

Posso comprar lágrima artificial e resolver?

Não necessariamente.

Lágrimas artificiais podem fazer parte do tratamento de muitos pacientes, mas olho seco pode possuir diferentes mecanismos.

Por exemplo:

Pouca produção de lágrima: pode exigir uma estratégia específica.

Evaporação rápida: pode estar relacionada às glândulas de Meibômio.

Inflamação: pode exigir outra abordagem.

Blefarite: pode precisar de tratamento direcionado às pálpebras.

Portanto, não existe um único tratamento adequado para todas as pessoas com olho seco.

Qual lágrima artificial devo usar?

Existem diferentes formulações de lágrimas artificiais.

Elas podem apresentar componentes e características distintas, incluindo:

• Ácido hialurônico;
• Carboximetilcelulose;
• Componentes lipídicos;
• Diferentes viscosidades;
• Formulações com ou sem conservantes.

A escolha depende do tipo de alteração da superfície ocular e da frequência de uso.

No período anterior ou posterior à cirurgia, o paciente deve seguir as orientações do oftalmologista responsável.

Preciso parar meus colírios antes da cirurgia?

Não interrompa medicamentos por conta própria.

Informe ao médico todos os colírios utilizados, inclusive aqueles comprados sem receita.

Isso inclui:

• Lágrimas artificiais;
• Colírios para glaucoma;
• Antialérgicos;
• Vasoconstritores;
• Antibióticos;
• Anti-inflamatórios.

O cirurgião orientará quais medicamentos devem ser mantidos ou modificados.

Uso lente de contato. Isso importa antes da biometria?

Sim.

Lentes de contato podem influenciar a superfície ocular e, dependendo do tipo de lente, também podem modificar temporariamente medidas da córnea.

O cirurgião pode orientar um período sem utilizar lentes antes dos exames pré-operatórios.

O tempo necessário varia de acordo com o tipo de lente e as características do olho.

Olho seco interfere na escolha da lente intraocular?

Pode fazer parte da decisão.

Uma lente intraocular não trata olho seco.

Além disso, quando se considera uma lente com características ópticas mais complexas, a qualidade de todo o sistema visual precisa ser analisada.

Isso envolve:

• Filme lacrimal;
• Córnea;
• Retina;
• Nervo óptico;
• Superfície ocular.

Uma superfície ocular irregular pode reduzir a qualidade visual independentemente da lente implantada.

Lentes multifocais exigem atenção especial à superfície ocular?

A avaliação da superfície ocular assume importância ainda maior quando existe expectativa de reduzir a dependência dos óculos.

Uma superfície ocular instável pode contribuir para:

• Visão flutuante;
• Embaçamento;
• Redução da qualidade óptica;
• Redução de contraste;
• Insatisfação visual.

Por isso, a condição da superfície ocular precisa ser considerada juntamente com córnea, retina, nervo óptico e expectativas do paciente.

Minha visão ficou embaçada depois da cirurgia. É olho seco?

Pode ser, mas existem várias outras possibilidades.

Visão embaçada depois da cirurgia de catarata também pode estar relacionada a:

• Grau residual;
• Edema de córnea;
• Inflamação;
• Alterações da retina;
• Opacificação da cápsula posterior;
• Outras alterações pós-operatórias.

Por isso, a causa precisa ser identificada antes de definir o tratamento.

Catarata pode voltar depois da cirurgia?

A catarata verdadeira não volta porque o cristalino natural opacificado é removido durante o procedimento.

Entretanto, em alguns pacientes, a cápsula que permanece sustentando a lente intraocular pode perder transparência meses ou anos depois.

Essa condição é chamada de opacificação da cápsula posterior.

Ela é diferente da catarata original.

Quando devo procurar o médico rapidamente depois da cirurgia?

Alguns sintomas não devem ser atribuídos automaticamente ao olho seco.

Procure orientação médica rapidamente diante de:

• Perda importante ou súbita da visão;
• Dor ocular intensa;
• Aumento importante da vermelhidão;
• Flashes luminosos novos;
• Sombra ou cortina no campo visual;
• Aumento súbito de moscas volantes.

Olho seco costuma provocar desconforto e flutuação visual, mas sintomas agudos importantes precisam de avaliação.

Como se preparar melhor para a cirurgia de catarata?

Durante a consulta pré-operatória, informe se você:

• Usa colírios diariamente;
• Sente ardência;
• Apresenta sensação de areia;
• Possui blefarite;
• Acorda com os olhos ressecados;
• Usa lentes de contato;
• Já realizou cirurgia refrativa;
• Apresenta visão oscilante;
• Possui doenças autoimunes;
• Tem diabetes;
• Utiliza medicamentos sistêmicos;
• Possui alergia ocular.

Essas informações ajudam o oftalmologista no planejamento.

Olho seco antes da cirurgia de catarata em Brasília

Pacientes que possuem catarata e também apresentam ardência, ressecamento, sensação de areia ou visão oscilante podem precisar de uma avaliação da superfície ocular antes do procedimento.

Na Blink Oftalmologia, em Brasília, o Dr. Fabrício Gomes de Freitas — CRM-DF 34226 · RQE 25316 atua em catarata e cirurgia refrativa.

A avaliação pré-operatória não serve apenas para escolher a lente intraocular.

Ela também permite analisar estruturas que podem influenciar a qualidade visual e as medidas utilizadas no planejamento da cirurgia.

Quando existe olho seco, o objetivo é identificar sua intensidade e verificar se a superfície ocular precisa ser estabilizada antes das medidas definitivas.

Dr. Fabrício Gomes de Freitas — Catarata em Brasília

Dr. Fabrício Gomes de Freitas
CRM-DF 34226 · RQE 25316

Atuação em:

• Catarata;
• Cirurgia de catarata;
• Planejamento de lentes intraoculares;
• Cirurgia refrativa;
• Avaliação oftalmológica de adultos.

O Dr. Fabrício Gomes de Freitas integra o corpo clínico da Blink Oftalmologia, em Brasília.

Perguntas frequentes sobre olho seco e cirurgia de catarata

Quem tem olho seco pode operar catarata?

Em muitos casos, sim.

A superfície ocular precisa ser avaliada e, quando necessário, tratada antes ou durante o período cirúrgico.

Olho seco pode alterar os exames da catarata?

Uma superfície ocular instável pode interferir em medidas relacionadas à córnea utilizadas no planejamento da lente intraocular.

Preciso tratar olho seco antes da biometria?

Em casos relevantes, o médico pode recomendar tratamento e estabilização da superfície antes de realizar ou repetir determinadas medições.

Cirurgia de catarata piora olho seco?

Alguns pacientes podem apresentar aumento temporário dos sintomas depois da cirurgia.

A evolução depende da condição prévia da superfície ocular e de outros fatores individuais.

Olho lacrimejando pode ser olho seco?

Sim.

A irritação da superfície ocular pode provocar lacrimejamento reflexo.

Preciso tratar blefarite antes da catarata?

Quando existe blefarite significativa, o médico pode recomendar tratamento das pálpebras e da superfície ocular como parte do preparo para a cirurgia.

Olho seco pode alterar o cálculo da lente intraocular?

Uma superfície ocular instável pode aumentar a variabilidade de algumas medidas da córnea utilizadas no cálculo da lente.

Posso usar lágrima artificial antes da cirurgia?

Lágrimas artificiais podem fazer parte do tratamento, mas o tipo e a frequência devem ser orientados conforme cada caso.

Posso usar lágrima artificial depois da cirurgia?

O esquema de colírios do período pós-operatório deve ser orientado pelo cirurgião.

Quem tem olho seco pode colocar lente multifocal?

A indicação depende da intensidade do olho seco, estabilidade da superfície ocular, condição das demais estruturas do olho e necessidades individuais do paciente.

Preciso parar de usar lente de contato antes dos exames?

Pode ser necessário.

O período varia conforme o tipo de lente utilizada e as características individuais.

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Na Blink Oftalmologia, o Dr. Fabrício Gomes de Freitas — CRM-DF 34226 · RQE 25316 realiza avaliação de catarata e planejamento cirúrgico.

Ligue ou entre em contato pelo WhatsApp +55 61 98133-1005 para marcar sua consulta.

Blink Oftalmologia — Brasília/DF
Unidades: Águas Claras · Asa Norte · Asa Sul

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Aviso editorial: este conteúdo possui finalidade educativa e informativa e não substitui consulta médica. A indicação de cirurgia de catarata, tratamento da doença do olho seco, uso de colírios e escolha da lente intraocular dependem da avaliação individual de cada paciente.