Tela aumenta a miopia em crianças? Entenda a relação – Clínica de Oftalmologia em Brasília

Tela aumenta a miopia em crianças? O que os pais precisam saber

“Meu filho fica muito no celular. Isso pode deixá-lo míope?”

Essa pergunta se tornou extremamente comum nos consultórios de oftalmologia.

Celulares, tablets e computadores fazem parte da rotina das crianças. São usados para estudar, conversar, jogar e assistir a vídeos. Ao mesmo tempo, a miopia vem recebendo atenção crescente da comunidade médica por estar se tornando mais frequente em diferentes populações.

Mas afirmar simplesmente que “o celular causa miopia” é uma simplificação.

A relação envolve genética, crescimento do olho, quantidade de atividades realizadas de perto e tempo que a criança passa em ambientes externos.

Entender essa relação é importante porque permite aos pais adotarem hábitos mais saudáveis sem transformar toda utilização de telas em um problema.

O que é miopia infantil?

A miopia é um erro refrativo.

Em um olho míope, a luz proveniente de objetos distantes não é focalizada adequadamente sobre a retina.

Na prática, a criança costuma enxergar melhor de perto e apresentar dificuldade para enxergar de longe.

Ela pode, por exemplo:

  • sentar cada vez mais perto da televisão;
  • reclamar que não enxerga o quadro na escola;
  • apertar os olhos para identificar algo distante;
  • aproximar-se de objetos que outras crianças conseguem enxergar normalmente;
  • apresentar queda no desempenho em atividades que dependem da visão à distância.

A miopia frequentemente começa durante a infância e pode aumentar durante os anos de crescimento.

Afinal, celular causa miopia?

Não é adequado estabelecer uma relação simples de causa e efeito dizendo que qualquer criança que utiliza celular ficará míope.

O que os estudos vêm mostrando é uma associação entre determinados padrões da vida moderna e o desenvolvimento da miopia.

Dois fatores recebem atenção especial:

muito tempo em atividades de perto e pouco tempo ao ar livre.

Usar um celular normalmente significa manter os olhos focalizados a uma distância curta durante períodos prolongados.

Mas o celular não é a única atividade realizada de perto.

Ler um livro muito próximo, desenhar, estudar ou executar outras tarefas visuais prolongadas também exige visão próxima.

Por isso, a discussão científica costuma utilizar o conceito de near work, ou trabalho de perto, em vez de simplesmente responsabilizar um aparelho eletrônico.

Então o problema é a tela ou a distância?

A questão parece estar relacionada ao conjunto de comportamentos.

Imagine duas crianças.

Uma utiliza o tablet durante algum tempo, faz pausas, brinca fora de casa e alterna suas atividades.

Outra passa várias horas seguidas no celular, mantendo o aparelho a poucos centímetros do rosto, e raramente realiza atividades externas.

O contexto visual das duas é completamente diferente.

Entidades especializadas em oftalmologia pediátrica recomendam manter uma distância adequada durante atividades próximas e realizar pausas regulares.

Uma orientação bastante conhecida é a regra 20-20-20: após aproximadamente 20 minutos de atividade de perto, olhar por cerca de 20 segundos para algo localizado a aproximadamente 20 pés de distância — cerca de seis metros.

Além da questão relacionada à miopia, as pausas podem ajudar a reduzir o desconforto associado ao esforço visual prolongado.

Tempo ao ar livre realmente faz diferença?

Essa é uma das descobertas mais interessantes relacionadas à prevenção da miopia infantil.

Uma maior exposição ao ambiente externo está associada a um menor risco de surgimento da miopia.

A recomendação é estimular atividades ao ar livre de maneira segura e adequada à rotina da criança, sempre considerando também os cuidados necessários com a exposição solar.

Isso não significa que uma criança que já possui miopia simplesmente possa brincar ao ar livre e fazer o grau desaparecer.

A miopia não é revertida dessa maneira.

A evidência sobre atividades externas é especialmente relevante para diminuir o risco de aparecimento da miopia.

Depois que ela já existe, o acompanhamento oftalmológico e, quando necessário, estratégias específicas para controle de sua progressão passam a ganhar importância.

Como perceber que uma criança está ficando míope?

Algumas crianças reclamam espontaneamente que estão enxergando mal.

Outras simplesmente se adaptam.

Por isso, pais e responsáveis devem observar alguns comportamentos.

Entre os principais sinais estão:

  • apertar os olhos para enxergar de longe;
  • aproximar-se muito da televisão;
  • não reconhecer pessoas à distância;
  • apresentar dificuldade para copiar informações do quadro;
  • sentir necessidade de sentar nas primeiras fileiras da sala de aula;
  • aproximar excessivamente objetos do rosto;
  • reclamar frequentemente de visão embaçada à distância.

Existe ainda uma questão importante: uma criança pode não saber que enxerga mal.

Se ela sempre enxergou daquela maneira, pode simplesmente acreditar que todas as outras pessoas enxergam da mesma forma.

É justamente por isso que avaliações visuais durante a infância são tão importantes.

Ter pais míopes aumenta o risco?

Sim, a genética participa do desenvolvimento da miopia.

Crianças com familiares míopes apresentam maior risco de desenvolver o problema, mas a genética não é o único componente envolvido.

Ambiente e hábitos visuais também participam desse processo.

Por isso, uma criança com histórico familiar importante de miopia merece atenção especial durante seu desenvolvimento visual.

Isso não significa que necessariamente desenvolverá miopia.

Significa apenas que o acompanhamento e a adoção de hábitos visuais saudáveis se tornam ainda mais relevantes.

Miopia infantil pode aumentar?

Sim.

Diferentemente de muitos adultos cujo grau pode permanecer estável durante longos períodos, as crianças ainda estão crescendo.

E os olhos também crescem.

Em muitos casos de miopia infantil, ocorre aumento do comprimento axial do olho, fazendo com que a miopia progrida.

Quanto mais cedo ela começa, maior pode ser o período durante o qual existe possibilidade de progressão.

Por isso, atualmente a oftalmologia não avalia apenas:

“Qual é o grau da criança?”

Outra pergunta também passou a ser extremamente importante:

“Esse grau está aumentando em qual velocidade?”

Essa informação ajuda o oftalmologista a compreender o comportamento da miopia ao longo do crescimento.

Óculos impedem a miopia de aumentar?

Os óculos convencionais corrigem a visão.

Eles permitem que uma criança míope enxergue objetos distantes com maior nitidez.

Entretanto, os óculos convencionais não necessariamente funcionam como um tratamento específico destinado a desacelerar a progressão da miopia.

É importante diferenciar essas duas funções.

Correção visual significa proporcionar uma visão mais nítida.

Controle da progressão envolve estratégias específicas que, em determinados pacientes, podem ser consideradas com o objetivo de diminuir a velocidade com que a miopia aumenta.

Existem tratamentos para controle da miopia?

Atualmente existem estratégias destinadas a determinados pacientes que apresentam miopia progressiva.

Entre elas estão tecnologias específicas de lentes e tratamentos farmacológicos utilizados em situações selecionadas.

Algumas das estratégias estudadas e utilizadas para controle da progressão incluem:

  • atropina em baixas concentrações;
  • lentes de contato específicas;
  • tecnologias ópticas voltadas ao controle de miopia;
  • ortoceratologia em casos selecionados.

Isso não significa que toda criança míope precise realizar algum desses tratamentos.

O oftalmologista precisa avaliar diversos fatores, como:

  • idade da criança;
  • grau atual;
  • velocidade de progressão;
  • características dos olhos;
  • histórico familiar;
  • rotina;
  • possibilidade de acompanhamento periódico.

Também é importante compreender o significado da expressão controle de miopia.

O objetivo não é prometer que a miopia nunca mais aumentará.

O objetivo é tentar reduzir sua velocidade de progressão quando existe indicação médica.

Criança pode usar celular?

A conversa precisa ser equilibrada.

A tecnologia faz parte da vida atual e está presente tanto na educação quanto no lazer e na comunicação.

A recomendação, portanto, não precisa ser simplesmente:

“Nunca mais use uma tela.”

Pais e responsáveis podem trabalhar hábitos mais saudáveis, como:

  • manter uma distância adequada do aparelho;
  • evitar longos períodos contínuos de visão próxima;
  • fazer pausas durante atividades prolongadas;
  • estimular atividades externas;
  • manter iluminação adequada;
  • observar possíveis sintomas visuais;
  • realizar acompanhamento oftalmológico.

Também vale observar o comportamento da própria família.

É difícil pedir a uma criança que passe menos tempo no celular quando todos os adultos ao redor permanecem constantemente diante de telas.

E videogame e televisão?

A distância faz diferença no tipo de esforço visual realizado pelos olhos.

Uma televisão assistida a alguns metros de distância não produz exatamente a mesma demanda de acomodação que um celular mantido a aproximadamente 20 centímetros dos olhos.

Isso não significa que assistir à televisão seja um tratamento preventivo contra a miopia.

Serve apenas para demonstrar por que analisar exclusivamente o chamado “tempo de tela” pode ser insuficiente.

Outros fatores também precisam ser considerados, incluindo:

  • distância da tela;
  • duração da atividade;
  • pausas;
  • quantidade de atividades realizadas de perto;
  • tempo passado em ambientes externos.

Quando procurar um oftalmopediatra?

Uma avaliação oftalmológica é especialmente importante quando:

  • a criança reclama que não enxerga de longe;
  • os pais percebem mudanças no comportamento visual;
  • existe histórico familiar importante de miopia;
  • o grau parece estar aumentando rapidamente;
  • a criança apresentou alteração em uma triagem visual;
  • existem dúvidas sobre o desenvolvimento da visão.

Além de identificar alterações refrativas, a avaliação oftalmológica infantil permite analisar diferentes aspectos do desenvolvimento visual da criança.

Oftalmopediatria na Blink Oftalmologia

Na Blink Oftalmologia, em Brasília, a Dra. Karla Delalíbera atua em Oftalmopediatria e Estrabismo.

A avaliação da criança considera não apenas a necessidade ou não de óculos, mas também diferentes aspectos relacionados ao desenvolvimento visual.

Quando existem sinais de miopia, histórico familiar ou suspeita de progressão do grau, o acompanhamento permite observar como a visão está se desenvolvendo ao longo do crescimento e definir individualmente a melhor conduta para cada paciente.

Se seu filho apresenta dificuldade para enxergar de longe, aproxima excessivamente objetos do rosto ou você possui dúvidas sobre o desenvolvimento da visão dele, uma avaliação oftalmológica pode ajudar a esclarecer o quadro.

Perguntas frequentes sobre miopia infantil

Celular deixa criança míope?

O uso do celular não deve ser interpretado isoladamente como causa direta da miopia. Atividades visuais realizadas muito de perto por períodos prolongados e pouco tempo ao ar livre estão entre os fatores ambientais relacionados ao desenvolvimento da miopia.

Quanto tempo uma criança deve ficar ao ar livre?

Entidades de oftalmologia pediátrica incentivam atividades externas frequentes durante a infância. Algumas recomendações mencionam pelo menos uma hora diária de exposição externa segura, enquanto estudos também avaliam períodos maiores.

O mais importante é incorporar atividades ao ar livre à rotina da criança de forma regular.

Miopia infantil tem cura?

Óculos e lentes podem corrigir a visão e existem estratégias destinadas a desacelerar a progressão da miopia em pacientes selecionados.

Entretanto, não é adequado prometer uma “cura” para a miopia.

A miopia aumenta até qual idade?

A progressão varia de uma pessoa para outra e costuma estar relacionada aos anos de crescimento.

O acompanhamento oftalmológico permite verificar a evolução do grau ao longo do tempo e identificar quando existe tendência de estabilização.

Criança com miopia precisa usar óculos sempre?

Depende do grau, da idade, das características visuais e das necessidades individuais da criança.

A orientação sobre frequência de uso dos óculos deve ser definida pelo oftalmologista após a avaliação.

Existe tratamento para a miopia não aumentar?

Existem estratégias de controle da progressão da miopia que podem ser consideradas em determinados pacientes.

A indicação depende da idade, do grau, da velocidade de progressão e de outras características avaliadas durante a consulta.

Nenhum desses tratamentos deve ser iniciado sem avaliação e acompanhamento oftalmológico.

Cuide da visão durante o crescimento

A infância é uma fase de intenso desenvolvimento visual.

Perceber alterações precocemente, acompanhar mudanças no grau e incentivar hábitos visuais saudáveis pode fazer diferença no acompanhamento da saúde ocular da criança.

Se houver dificuldade para enxergar à distância, histórico familiar de miopia ou dúvidas sobre o desenvolvimento da visão, procure uma avaliação com um oftalmologista.

Na Blink Oftalmologia, a Dra. Karla Delalíbera realiza acompanhamento em Oftalmopediatria e Estrabismo em Brasília.