Catarata: sintomas, tratamento e cirurgia em Brasília
Visão embaçada, perda de contraste, halos ao redor das luzes e dificuldade para dirigir à noite podem ser sinais de catarata. Entender o que está acontecendo dentro do olho — e saber quando procurar avaliação especializada — faz diferença na decisão sobre o melhor momento para tratar. Em Brasília, a Blink Oftalmologia oferece avaliação especializada em catarata e cirurgia refrativa, com atendimento do Dr. Fabrício Freitas e estrutura moderna nas unidades de Águas Claras e Asa Norte. Quando a visão muda aos poucos A catarata raramente aparece de um dia para o outro. Na maior parte das vezes, a mudança é lenta. A pessoa começa a aumentar a iluminação para ler, sente mais incômodo com faróis, percebe que as cores estão menos vivas ou nota uma espécie de “névoa” sobre a imagem. Como a adaptação acontece aos poucos, nem sempre é fácil perceber quanto a visão já mudou. Esses sintomas não confirmam o diagnóstico por si só. Outras alterações oculares também podem provocar embaçamento, perda de contraste ou dificuldade noturna. Por isso, quando a visão começa a interferir na leitura, na direção, no trabalho ou em tarefas simples do cotidiano, o caminho mais seguro é uma avaliação oftalmológica completa. Afinal, o que é catarata? Catarata é a opacificação do cristalino, a lente natural transparente que fica atrás da íris e da pupila. Em um olho saudável, essa lente ajuda a direcionar a luz para a retina. Quando perde transparência, a luz deixa de atravessá-la de forma organizada e passa a se dispersar, o que reduz a nitidez e o contraste da imagem. Uma comparação simples ajuda: uma câmera pode estar perfeitamente focada e ainda produzir uma imagem ruim se a lente estiver embaçada. Na catarata, algo parecido acontece dentro do olho. A luz entra, mas atravessa um cristalino que já não é totalmente transparente. O cristalino é formado por células especializadas e proteínas chamadas cristalinas. Para continuar transparente durante décadas, depende de uma organização celular muito precisa, do equilíbrio de água e eletrólitos e da estabilidade de suas proteínas. Com o envelhecimento, alterações bioquímicas se acumulam e essa organização pode se perder. Por isso, duas pessoas com catarata não necessariamente enxergam da mesma maneira. Uma pode reclamar principalmente de embaçamento; outra, de ofuscamento; outra ainda consegue ler bem a tabela do consultório, mas tem grande dificuldade para dirigir à noite. Por que a catarata é tão comum com o envelhecimento? A idade é o principal fator de risco, mas não porque o cristalino simplesmente “desgasta”. O processo envolve alterações progressivas em proteínas, membranas e mecanismos antioxidantes. O estresse oxidativo, por exemplo, é um dos fenômenos mais estudados na catarata relacionada à idade, especialmente na forma nuclear. [3] O cristalino possui sistemas de defesa antioxidante, entre eles a glutationa. Com o passar dos anos, sobretudo no núcleo da lente, a capacidade de manter as proteínas em seu estado funcional diminui. Quando o dano acumulado supera a capacidade de manutenção, a transparência começa a cair. A relevância da catarata vai muito além da leitura de uma tabela de letras. Estudos internacionais mostram que ela continua entre as principais causas de deficiência visual tratável no mundo. Uma meta-análise global estimou cerca de 17 milhões de pessoas cegas por catarata e 83,5 milhões com deficiência visual moderada ou grave relacionada à condição. [1,2] Os sintomas que costumam aparecer primeiro • Visão embaçada, enevoada ou com sensação de “vidro fosco”;• Necessidade de mais luz para ler;• Perda de contraste, principalmente em ambientes pouco iluminados;• Halos e ofuscamento ao redor de faróis e fontes de luz;• Cores que parecem menos vivas ou mais amareladas;• Mudanças frequentes no grau dos óculos;• Dificuldade para reconhecer detalhes à distância ou dirigir à noite. Esse impacto funcional importa. Uma pessoa pode ainda ter uma acuidade visual considerada razoável e, mesmo assim, ter abandonado a direção noturna, evitado escadas mal iluminadas ou reduzido atividades sociais. A decisão de tratar catarata não deve ser baseada apenas em um número na tabela de visão, mas também no que aquela alteração está fazendo com a vida do paciente. Diretrizes como as do NICE reforçam esse ponto. [7] Tipos de catarata Catarata nuclear Atinge principalmente a região central do cristalino. Pode causar amarelecimento ou brunescimento da lente, redução de contraste, alteração na percepção das cores e mudança refracional. Algumas pessoas percebem, temporariamente, maior facilidade para ler de perto — a chamada “segunda visão” — antes de uma piora mais ampla. Catarata cortical Forma opacidades na região cortical do cristalino, muitas vezes com aspecto radial. A dispersão da luz costuma provocar glare, halos e desconforto diante de faróis, principalmente à noite. Catarata subcapsular posterior Surge próxima à cápsula posterior, em uma área central do eixo visual. Mesmo opacidades pequenas podem causar bastante sintoma. É frequentemente associada à dificuldade para leitura e ofuscamento e pode ocorrer em contextos como uso prolongado de corticosteroides e algumas alterações metabólicas. Também existem cataratas congênitas, traumáticas, associadas a inflamações oculares, doenças metabólicas ou determinados medicamentos. A história clínica e o exame em lâmpada de fenda ajudam a definir o tipo e a provável origem. Diabetes, tabagismo, radiação UV e outros fatores de risco Pessoas com diabetes podem desenvolver catarata mais cedo e com maior frequência. A hiperglicemia altera o metabolismo da glicose no cristalino e pode aumentar estresse osmótico, glicação de proteínas e estresse oxidativo. [4,12] Isso não significa, porém, que toda pessoa com diabetes evoluirá da mesma forma. Tempo de doença, controle metabólico, genética e outras condições oculares também influenciam o risco. O tabagismo é outro fator modificável bem documentado. Meta-análises encontraram associação entre fumar e maior risco de catarata relacionada à idade, especialmente catarata nuclear. [5] A exposição acumulada à radiação ultravioleta também está associada a determinados tipos de catarata. Óculos com proteção UV adequada e chapéus de aba ajudam a reduzir a exposição direta, embora não exista medida capaz de garantir prevenção total. [6] O uso prolongado de corticosteroides merece atenção, principalmente pela associação com catarata subcapsular posterior. Esses medicamentos nunca devem ser suspensos por conta própria;